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14
Dez

Simpósio 7 – Bem-Estar do Adolescente – A força do futuro

Título do artigo jornalístico: Saúde e bem-estar dos adolescentes – a força do futuro

 

Durante as XVI Jornadas Nacionais de Saúde foi realizado o Simpósio intitulado “Bem-Estar do Adolescente – A força do futuro” que se debruçou sobre aspectos chave e emergentes sobre o bem-estar do adolescente em Moçambique. Durante este encontro foram apresentados dados actualizados sobre a saúde do adolescente e exemplos de abordagens implementadas a nível nacional e internacional.

 

Justine Coulson, funcionária do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), apresentou o tema “A situação do adolescente na África Subsaariana”, onde começou por referir a importância dos jovens para o desenvolvimento do país.

 

A oradora, explicou que Moçambique atravessa um período de elevado crescimento populacional, sendo uma grande porção representada por jovens. “tratando-se de uma população activa, se usufruir de condições favoráveis de saúde, educação e empregabilidade poderá contribuir substancialmente para o desenvolvimento do país e trazer benefícios para a sociedade como um todo”, disse.  

 

Justine Coulson, Vice-Directora Regional da FNUAP para a Região da África Oriental e do Sul, Johannesburg, África do Sul

 

Justine Coulson, apresentou também dados sobre as tendências entre 2000 e 2017 no que toca a alguns aspectos de saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, destacando como avanços positivos o maior uso do preservativo, maior procura pela testagem do HIV e diminuição dos casos de violência sexual.

 

A funcionária do FNUAP disse que ainda subsistem desafios preocupantes, nomeadamente, no que toca ao risco de infecção pelo HIV nesta camada jovem e segundo dados por ela apresentados, só em Moçambique 340 raparigas são infectadas a cada semana, enquanto que na África do Sul, 9 raparigas são infectadas a cada hora.

 

Os casamentos prematuros e as gravidezes precoces foram outros aspectos indicados pela oradora como preocupantes.

 

A questão que se coloca é que face a este cenário que soluções se aplicam? Uma das propostas apresentadas pela oradora foi o contínuo investimento na obtenção de informação que permita perceber quais são as causas destes problemas e como estas diferem regionalmente, pois só conhecendo as causas se podem desenhar intervenções eficazes.

 

Justine Coulson, indicou igualmente a importância do fortalecimento do sistema de saúde para que este responda às necessidades dos adolescentes e o apoio comunitário de modo a criar um ambiente favorável ao uso dos serviços de saúde nesta camada juvenil.

 

O tema “A condição do Adolescente em Moçambique: uma enfâse na problemática do casamento prematuro” foi apresentado por Cristiano Matsinhe, investigador e docente da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM.

 

O professor apresentou os resultados de um estudo sobre as causas do casamento prematuro feito em Manica, Tete, Zambézia e Nampula onde em conjunto com uma revisão bibliográfica, foram entrevistados vários informantes-chave como adolescentes, líderes comunitários e religiosos, representantes do sector da Saúde, Educação, e Acção Social e organizações da sociedade civil.

 

Cristiano referiu que, conforme dados de 2015, 14,3% das raparigas moçambicanas entre as idades de 20 e 24 casaram-se antes dos 15 anos e 48,2% das raparigas adolescentes  casaram-se antes dos 18 anos.

 

Cristiano Matsinhe, Antropólogo, Centro de Estudos Africanos, UEM, Moçambique

 

Segundo o estudo feito, os factores que facilitam a manutenção da prática de casamentos prematuros são vários, complexos e interligados. Alguns aspectos apresentados foram: a confusão entre sinais biológicos de puberdade e atributos de maturidade para o casamento;  os ritos de iniciação que embora sendo um espaço social de ensinamentos, muitas vezes incentivam o início precoce das relações sexuais; a sobrevalorização da reprodução que atribui um sentido de urgência para a procriação; os prometimentos à nascença onde se espera que a rapariga logo ao nascer já deva ser atribuída um marido, entre várias outras formas de pressão social e económica.   

 

Eugenia Macassa, Directora do Departamento de Pediatria do Hospital Central de Maputo, apresentou o tema:” Vulnerabilidade dos adolescentes ao HIV, acesso e respostas ao tratamento” e explicou que em Moçambique existem actualmente 170 mil adolescentes seropositivos e que a pobreza, a insuficiente prevenção do HIV, os casamentos prematuros e as oportunidades limitadas de educação, tornam a adolescência um período de vida mais vulnerável a esta doença.

 

São ainda barreiras e desafios que dificultam o acesso dos adolescentes aos serviços de saúde, segundo a oradora,  o não aconselhamento por parte de famílias, professores e profissionais de saúde, o estigma em torno do HIV, a insuficiente informação sobre benefícios do tratamento anti-retroviral (TARV), a falta de provedores de saúde capacitados para oferecer serviços mínimos e de qualidade e a baixa cobertura de Unidades Sanitárias com Serviços Amigos dos Adolescestes e Jovens (SAAJ).

 

Eugénia Macassa Mousanha, Directora do Departamento de Pediatria do Hospital Central de Maputo, Moçambique

 

A médica explicou que o MISAU, com vista a fortalecer a prevenção e a qualidade do TARV para os adolescentes e jovens, desenvolveu o Plano Operacional para Adolescentes vivendo com o HIV(AVHIV) vigente de 2018 a 2020. Este plano assenta sobre três pilares: 1) Melhorar a prevenção do HIV em adolescentes e jovens; 2) Aumentar o acesso ao TARV para  adolescentes e jovens e; 3) Melhorar a adesão e retenção em tratamento dos adolescente e jovens seropositivos.

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